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Antecipação de uma nova Primavera

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.12.09

Não, não vou esperar aqui sentada em pose melancólica por uma Primavera que nem sei se virá. Vou antecipá-la, mesmo que nunca venha a amanhecer por aqui.

 

A minha Primavera preferida não é a mais celebrada por cá. Não é a minha. A minha Primavera é outra, muito diferente.

É o brilho nos olhos de quem sonha, de quem é livre por dentro, de quem parte porque ficar é murchar, de quem volta e quando volta fala de aventuras.

A minha Primavera são livros que li, filmes que vi, vozes que ouvi, personagens magníficas, únicas, que pré-existiram e outras que ainda conheci. 

A minha Primavera são as rosas breves de Santa Teresinha, as que floriam em Maio.

A minha Primavera são rituais simples, gestos poéticos, silêncios.

A minha Primavera é também a música, quando ouvia "A Noite Passada" do Pré-Histórias do Sérgio Godinho no meu radiozinho de pilhas. 

 

Tive a sorte (ou o azar) de poder ler todos os livros das prateleiras e ver os filmes a preto e branco que passavam na televisão.

Pior foi depois, acertar a alma com o país que existia, cinzento e triste.

Se a Primavera que nos anunciaram me alegrou? Com aqueles símbolos bélicos? E aqueles gritos histéricos? Não.

Sonhei com outra Primavera, que eu já a tinha visto em muitos olhares, sorrisos, vozes, livros e filmes! Não era ainda aquela.

Se escandalizo algumas boas almas, quando digo isto? Que esta não era a minha Primavera, a Primavera anunciada?

Não faz mal, poucos passam por aqui... e os que passam, já sabem de mim o suficiente para não me levar a mal.

 

Esta entrevista recente de António Barreto e o que anuncia, um portal na internet com dados sobre este país de novo cinzento e triste, e ensaios periodicos sobre os temas essenciais, já me mostrou que pode ainda ser possível uma Primavera por aqui.

Que vá à nossa memória colectiva, que de lá retire o melhor de nós, para nos lembrar quem fomos e quem ainda podemos vir a ser. É a partir do melhor de nós que podemos melhorar, evitando os erros e os desvios.

E são tão fáceis os desvios. Sim, talvez ainda seja possível uma nova Primavera...

 

O Vozes Dissonantes, este cantinho sossegado, fica por aqui, meus queridos amigos.

 

Que a Primavera vos venha também chamar, baixinho, amorosamente desta vez, porque o stress não inspira à melhor acção nem à mais eficaz.

Sim, que a Primavera vos atraia de novo, um vento refrescante no rosto, e uma nova alma, uma alma acesa!

Um grande abraço a todos! E obrigada pela vossa amabilidade e paciência. (Às vezes sou um pouco chata, reconheço). Ah, já me esquecia. Continuo a navegar aqui e a sonhar ali.

 

 

publicado às 12:28

O plano simbólico da Restauração

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 01.12.09

Restaurar, v. t. Readquirir, recuperar, recobrar, reaver. // Restabelecer em bom estado. Pôr novamente em vigor. // Restituir ao poder (uma dinastia, um soberano, um governo decaído). R.-se, v. r., Recompor-se restabelecer-se, ganhar as forças perdidas.

Restauração, s. f., Acção ou efeito de restaurar. // Reparação, restabelecimento, conserto. // Restabelecimento, vida nova dada a uma instituição. // Restabelecimento de uma dinastia ou de um sistema político no poder. // Reaquisição da independência nacional.

 

Definições que retirei do Novo Dicionário Compacto da Língua Portuguesa, de António de Morais Silva, Editorial Confluência, 6ª edição, 1990, vol. V.

Definições que nos esclarecem sobre o que comemoramos no Dia da Restauração. Magnífica metáfora, tão oportuna!

 

Será ainda possível uma Restauração no nosso país?

Um grito como o da personagem do Thunderheart: This land is not for sale?

O tempo o dirá. 

 

Desde que ouvi falar neste Rei D. João IV e no seu gesto poético, e tão português!, da coroação de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa, que o meu olhar infantil se deixou encantar. Nem podia ser de outro modo, além de impressionável, amava a poesia dos gestos acima de tudo.

Restauração passou a simbolizar para mim, e até hoje, restaurar no domínio do território - independência - e da alma - valores.

 

Hoje descubro n' O Insurgente que nasceu um novo blogue com o nome Golpe de Estado. Estranho nome para um blogue que nasce no dia da Restauração e que se afirma pela restauração do melhor de nós que entretanto perdemos. Golpe de estado lembra-me o que se vai passando nalguns países da América latina ou em África ou na Ásia. Não gosto do termo. Mas pareceu-me que o título do blogue nos pretende acordar da tal narcose (magnífico termo que vi n' O Cachimbo de Magritte) e nesse sentido, tudo bem, consegue-o realmente. Coloca-nos logo em sentido, vigilantes.

 

Leio atentamente a Mensagem do 1º de Dezembro de D. Duarte de Bragança. Vejo lá o essencial, o que nos falta e o que é preciso fazer.

De resto, é na blogosfera, não na informação oficial ou oficiosa, que se encontra a chama acesa.

Um dia quererão calar essa voz ainda livre, e a tentativa talvez já aí esteja, na multiplicação de gente anónima (especialidade portuguesa?) a espalhar comentários agressivos e insultuosos.

De qualquer modo, ainda se ouvem vozes livres e isso é o nosso melhor trunfo como país. É essa a única esperança de uma Restauração.

 

publicado às 15:26


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